quinta-feira, 27 de março de 2014

CONFERÊNCIA DO PROF. DOUTOR JORGE HUMBERTO DIAS NA UNIVERSIDADE DO ALGARVE (9 DE ABRIL DE 2014)


GRATUITO E SEM REGISTO. PARTICIPE E VENHA DEBATER O TEMA.

terça-feira, 18 de março de 2014

RAN LAHAV EM PORTUGAL PARA UMA CONFERÊNCIA NA UNIVERSIDADE DE LISBOA


O professor e consultor filosófico israelita, Ran Lahav, vai estar em Portugal para um conjunto de atividades profissionais, sendo de destacar a sua conferência na Universidade de Lisboa, a 8 de maio de 2014:

"Film-making techniques and Philosophical viewpoints of reality".

Mais informações AQUI



Ran Lahav organizou a 1ª Conferência Internacional de Prática Filosófica, juntamente com Lou Marinoff, na British Columbia University. Tem dezenas de artigos sobre Aconselhamento Filosófico e tem proferido centenas de conferências em vários países do mundo. Neste momento, gere o seu website "Trans-Sophia", que pode consultar AQUI

sábado, 15 de março de 2014

PERFIL de Jorge Humberto Dias - por Jornalista PATRÍCIA RAIMUNDO


PROFISSÃO: FILÓSOFO 

Um telefonema mudou a vida de um Professor. Afinal, é possível ser-se Filósofo em Portugal.
Era quase um ritual. Jorge Dias sabia que ao final da tarde o telefone tocaria mais uma vez. Estava a ajudar uma pessoa a superar o fim de uma relação amorosa. Atendeu. Mas do outro lado da linha, algo tinha mudado. A tristeza dos últimos dias dera lugar à esperança. Tudo por culpa de um livro.
"Mais Platão, Menos Prozac", de Louis Marinoff, filósofo. Jorge Dias correu a comprar o livro que, dizia a sua interlocutora, o poderia ajudar a desenvolver a sua capacidade de dialogar com as pessoas e orientá-las. Jorge contactava pela primeira vez com a Filosofia Prática. Corria o ano de 2002.
Hoje, para além de continuar a sua carreira como Professor, Jorge Dias é Conselheiro Filosófico (...)
Nasceu em Luanda, Angola. Com dois anos foi para o Brasil, mas rapidamente veio para Lisboa onde passou toda a sua infância e adolescência até se licenciar em Filosofia em Outubro de 1998. A partir daí, deixou a cidade e nunca mais lá parou. “As pessoas têm a ideia de que ser professor e andar de um lado para o outro é muito mau”. Não para Jorge Dias:
“Ter a oportunidade de trabalhar em vários sítios é excelente. Isso sim é formação a sério!”.
Foi esta vontade de aprender sempre mais que o levou a dar aulas um pouco por todo o país: Almada, Alentejo, Açores, Beira Litoral, Algarve.
Para Jorge Dias, cada um destes lugares é uma oportunidade de enriquecer a sua filosofia. Mas foi a sua estadia nos Açores a experiência que mais o marcou: “Não se vive da mesma maneira, logo não se pensa nem se sente da mesma maneira. E estar, pensar e sentir são dimensões que alteram toda uma filosofia, uma vida”.
Apesar das distâncias, os amigos não hesitam em dizer que ele está sempre presente, de uma forma ou de outra: “Os afectos são os sentimentos que me ligam às outras pessoas, que me ligam ao mundo, como uma espécie de autocolantes. Mas sem muita cola, facilmente descoláveis, que me permitem estar longe e perto ao mesmo tempo”, explica Jorge Dias.
Em cada lugar por que passou, por sugestão ou por convite, o professor acabou sempre por ter um programa na rádio local. As aventuras no éter começaram em Almada, primeiro sítio onde deu aulas. O trabalho de aconselhamento e orientação de jovens que estava a desenvolver na Escola começou a ser conhecido e foi então que um locutor de rádio o convidou a fazer uma rubrica semanal sobre Filosofia Aplicada. Chamou-lhe “Conversas com Música”. “Pensávamos que os ouvintes iam todos fugir, que íamos ficar sem audiência”. Tal não aconteceu. A Filosofia levou muitos ouvintes e convidados à rádio. Jorge Dias era já, sem o saber, Conselheiro Filosófico.
A paixão pela Rádio surgiu ainda em criança, quando começou a imitar um locutor da Rádio Renascença que adorava ouvir: “Fazia relatos de futebol quando era miúdo. Gravava, ouvia e depois corrigia. Começaram aí as minhas primeiras colocações de voz.”, recorda. (...)

Hoje vive em Quarteira. Nesta cidade, Jorge Dias viu a possibilidade de construir um projecto. “É sempre a questão do projecto que me atrai. Não aquilo que há na realidade”, explica. Para além de ter gostado da Escola (...), viu em Quarteira um potencial de desenvolvimento, “uma cidade de futuro” onde é possível fazer-se algo de novo. A começar pela forma como é ensinada a Filosofia.
Jorge Dias não se considera um “professor normal”. “Os alunos têm uma ideia do professor que é um tipo chato, que não tem nada a ver com o mundo, que é um tipo que chega à sala, debita as suas teorias, que não interessam a ninguém e que são uma seca. Eu não estou nessa linha”. Leonor Viegas, companheira na vida, diz que “os alunos do Jorge têm uma grande sorte, porque têm um Filósofo, não têm só um professor de Filosofia.”
Fábio Antunes, 15 anos, acha o Professor Jorge “um fixe”. “As aulas são engraçadas. Somos nós que apresentamos os temas e ele vai lá para trás fazer de aluno. Assim aprendemos mais”, conta. Jorge Dias explica que a sua relação com os alunos passa sempre por três fases distintas: “no primeiro período, os alunos odeiam-me; no segundo, até acham que o método é útil, mas ainda não gostam do professor; e no terceiro período gostam muito de mim. Acabo por terminar o ano com uma relação muito próxima com os alunos.”
Na Escola, o Professor de Filosofia da turma de Desporto chega sempre em cima da hora. Os alunos esperam por ele à porta da sala e só quando o tempo de tolerância está a acabar é que o Professor Jorge chega: “Às vezes até pensamos que ele vai faltar. Mas lá vem ele a subir as escadas com o café na mão, bué descontraído, bué estiloso”, revela Fábio Antunes.
Este homem calmo e concentrado é, acima de tudo, um Filósofo. Depois do telefonema que lhe deu a conhecer a Filosofia Prática, Jorge Dias frequentou um curso de Aconselhamento Filosófico em Inglaterra e desenvolveu o seu próprio método, relacionado com a felicidade, a que deu o nome de PROJECT@. Em 2006, publicou o seu livro, “Pensar Bem, Viver Melhor”, onde, para além de expor o seu método, descreve a situação da Filosofia Prática em Portugal.
(...) É no tempo que passa com a família que Jorge Dias encontra o equilíbrio de que precisa para desempenhar o seu trabalho da melhor forma.
(...)
O lado mais formal de que se fala é a faceta de Director. O pai dedicado veste o fato e põe a gravata e então é o profissional “competente, comprometido eticamente, dedicado e persistente” que Tiago Pita, amigo e colega, reconhece. (...)
E é precisamente neste cargo que Jorge Dias diz, sem hesitar, sentir-se mais realizado: “Por duas razões: Liberdade e Projecto. Como professor tenho um projecto mas não me sinto livre. Como conselheiro, sou livre, mas sem projecto. Como Director sinto-me livre e com um projecto.”
Numa escala de 0 a 100, o projecto de vida de Jorge Dias vai nos 70: “Significa que sou feliz. Só não vou nos 100 porque ainda tenho algumas coisas para fazer”.
        9.2.2007

Patrícia Raimundo
Jornalista

quinta-feira, 13 de março de 2014

segunda-feira, 10 de março de 2014

BEATRIZ SANTOS É A MEDALHA DE OURO DAS 3ª OLIMPÍADAS PORTUGUESAS DE FILOSOFIA (2014)



Beatriz Santos, aluna da Escola Secundária IBN Mucana (Alcabideche) foi a vencedora da 3ª edição das Olimpíadas Portuguesas de Filosofia, que este ano se realizaram em Paços de Ferreira.

"Participei pela primeira vez nas Olimpíadas Nacionais da Filosofia na sua primeira edição, em 2012 , tendo ficado classificada em 10º lugar. Estava no meu 10º ano, razão pela qual ainda não tinha aprofundado muito os meus conhecimentos filosóficos. As Olimpíadas foram, portanto, o que estimulou ainda mais a minha paixão pela Filosofia.
O ano passado participei nas II Olimpíadas Nacionais da Filosofia com o objectivo de vencer. No entanto, não consegui um bom resultado e o objectivo teve de ser adiado para o ano seguinte. Nesta segunda participação nas Olimpíadas conheci pessoas  extremamente interessantes com quem tive discussões que me ajudaram a tomar a decisão de seguir Filosofia no ensino universitário. O problema da empregabilidade e do pouco apreço desta tão importante área do saber em Portugal levaram a que decidisse candidatar-me a universidades no Reino Unido, nas quais fui aceite.
Este ano participei nas III Olimpíadas Nacionais da Filosofia, pela última vez visto que já frequento o 12º ano, e concretizei o sonho de me tornar medalha de ouro nas mesmas. Em acréscimo, serei a representante de Portugal nas Olimpíadas Internacionais, na Lituânia, onde farei por representar o nosso país com a maior qualidade possível.
No futuro, desejo tornar-me filosofa  e divulgar ao máximo a importância do ensino da Filosofia.
Para mim, filósofo é aquele que se debruça sobre problemas e questões e as tenta resolver: filósofo é aquele que tem como actividade compreender qual é a forma correcta de pensar acerca desses problemas e questões. São inúmeras as questões sem resposta no mundo e, muitas vezes, apenas a Filosofia é capaz de raciocinar acerca delas. Isto porque a Filosofia implica uma análise minuciosa, logicamente conduzida dos problemas, não os descartando por parecem demasiado óbvios (até porque muitas vezes não o são) ou demasiado difíceis e fora do alcance do nosso conhecimento empírico. Para realmente compreender o que implica ser-se filósofo é necessário compreender o que é a filosofia, o que, demasiadas vezes, não é conseguido com sucesso. Para que tal seja possível, é necessário envolvermo-nos na Filosofia, contactar com o que foi pensado anteriormente pelos filósofos e, de extrema importância, criar os nossos próprios argumentos e teses acerca desses mesmos problemas. Filosofar não é decorar, é criar!
A minha ambição leva-me a projectar um futuro como filosofa e professora académica. Quero publicar as minhas próprias ideias, contribuir com as minhas próprias respostas aos problemas da Filosofia, deixar a minha marca na comunidade filosófica. A Filosofia é de facto a minha paixão, pelo que lutarei para que o que hoje chamo futuro se torne presente.
Filosofia significa, por definição, amor à sabedoria. Na minha opinião, ao mundo actual falta muito amor à sabedoria: muito questionamento, muita dúvida, muita cultura, muito pensamento crítico e raciocínio lógico. Tudo isto tão característico da Filosofia. Torna-se óbvio o ponto que defendo: O mundo precisa da Filosofia. Entristece-me saber que, outrora, a Filosofia era considerada a disciplina dos grandes pensadores, daqueles que mudavam o mundo, e hoje lhe seja atribuído tão pouco valor. Quererá isto dizer que a Filosofia está ultrapassada? Não, de todo. Significa antes que as pessoas estão centradas e (des)concentradas nas coisas que não são realmente importantes. Tal como a ciência aumenta a qualidade de vida das pessoas e o conhecimento que temos acerca do funcionamento do universo, também a Filosofia proporciona às pessoas (e, consequentemente à sociedade) a capacidade de compreender a sua existência e a do mundo. A Filosofia é o lar dos curiosos, dos que ousam desafiar as respostas estabelecidas, daqueles que se desafiam a si mesmos, dos que reconhecem a importância do pensamento e não resistem a uma boa discussão – é o lar daqueles que nunca querem deixar de aprender. 



Beatriz Santos e a sua professora de Filosofia

sexta-feira, 7 de março de 2014

DIA 20 DE MARÇO - DIA MUNDIAL DA FELICIDADE (ONU)


"As Nações Unidas instituíram o 20 de março como Dia Internacional da Felicidade.
A data, que se junta agora ao calendário da ONU de dias internacionais, foi aprovada numa resolução da Assembleia Geral da ONU.
"A busca pela felicidade é um objetivo humano fundamental", diz a resolução, aprovada por unanimidade pelos 193 membros da assembleia.
A instituição do dia da felicidade era parte de uma campanha diplomática do reino do Butão, país que tem um índice nacional de felicidade bruta.
Muitos governos dizem que novos elementos, entre eles a felicidade, devem ser incorporados às formas de se medir a prosperidade, dominadas por indicadores económicos."

Fonte: DN


Desafiamos todas as Universidades, Escolas, Empresas, Associações, etc. a celebrar o dia através das mais diversas atividades. Por exemplo, no website do ActiveInspire poderá encontrar um flipchart gratuito sobre o tema da Felicidade na Filosofia.

O Diretor do Gabinete PROJECT@, prof. doutor Jorge Humberto Dias, vai estar presente em vários locais do Algarve, para participação em vários eventos comemorativos. Daremos mais informações em breve.

DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA DO TRABALHO DE JORGE HUMBERTO DIAS NO JORNAL DE TERAPIAS HUMANISTAS (REPÚBLICA DA COREIA)


 Para mais informações sobre o texto completo, contacte-nos: gabineteproject@mailworks.org

CONFERÊNCIA DE JOSÉ BARATA-MOURA EM LOULÉ


Na próxima 5ª feira, dia 27 de março, pelas 21h, o professor catedrático de Filosofia, José Barata-Moura (Universidade e Lisboa), ex-reitor, vai estar no Salão Nobre da Câmara Municipal de Loulé, para uma conferência com o título:

"Como romper? As endrominações da ideologia dominante."

Esta conferência faz parte do Ciclo de Conferências "Horizontes do futuro".

Mais informações AQUI

terça-feira, 4 de março de 2014

VÍDEO DA CONFERÊNCIA DO PROF. DOUTOR JORGE HUMBERTO DIAS NA UNIVERSIDADE DE LISBOA



Pode ver AQUI o vídeo da Conferência

A importância do processo narrativo na
teoria ética contemporânea de Julián Marías[1]
Jorge Humberto Dias[2] (Ph. D.)
CEFi - Universidade Católica Portuguesa



INDICE

 1- Do raciovitalismo e do personalismo ao paradigma “felicitário[1]

 2 - Dos paradigmas à epistemologia[1] da consultoria filosófica

 3 - O lugar metodológico da narrativa na filosofia original de Julián Marías

 4 - Para uma ética projetiva do “melhor”

 5 - Uma agenda ética para o século XXI

Referências Bibliográficas

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[1] “Entendida de modo mais amplo, a epistemologia é sobre questões que têm a ver com a criação e disseminação do conhecimento em áreas específicas de investigação.” Steup, M. (2013). "Epistemology". in The Stanford Encyclopedia of Philosophy (Winter 2013 Edition), Edward N. Zalta (ed.), - http://plato.stanford.edu/archives/win2013/entries/epistemology - acedido a 28 de fevereiro de 2014. Pensamos que a epistemologia da consultoria filosófica deverá ser, num futuro próximo, mais aprofundada e debatida. Brevemente, publicaremos noutro local a fundamentação teórica que realizámos em 2013.

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[1] Sanchéz-Gey, num estudo sobre a escola de Madrid, vem contextualizar este interesse curricular e filosófico da obra de Marías, ao recordar as principais características do pensamento espanhol contemporâneo: “Desde Séneca, passando por Vives e tantos outros, o pensamento espanhol tem como núcleo de reflexão o viver.” (Sanchéz-Gey, 2009, 221) A perspetiva de Manzano faz algum sentido: primeiro, referindo o Diccionario de filosofia de Ferrater Mora, que identifica Julián Marías como o criador da expressão «escola de Madrid», como centro filosófico, motivado pelas teorias de Ortega y Gasset e pela vida como objeto de estudo metafísico. (Manzano, 2003, 30-1) Na sua obra Historia de la filosofía, Marías tem o subcapítulo “6. A escola de Madrid”, o qual é integrante do capítulo “VII. Ortega e a sua filosofia da razão vital”, da parte “Filosofia moderna”, (Marías, 1941, 415) a qual, inclui, também, a época atual.
Em Historia de la filosofia, numa reflexão de 1965, publicada na edição americana, Marías explicita a sua formação, que nos pode ajudar a compreender, precisamente, esse conceito de escola como novo paradigma na filosofia: na disciplina de história da filosofia o docente foi Zubiri, em lógica e estética foi Gaos. Em relação às disciplinas de ética e metafísica vamos referir também os filósofos lecionados, para podermos entender o percurso intelectual de Julián Marías na elaboração da sua teoria vital e personalista sobre a felicidade: o docente de ética foi Morente e os filósofos lecionados foram: Aristóteles, Espinosa, Kant, Mill e Brentano. Na disciplina de metafísica o docente foi Ortega e os filósofos lecionados foram: Descartes, Dilthey e Bergson. Nesta disciplina, as influências são mais evidentes, sobretudo no processo de reflexão sobre a filosofia da vida, como terreno para o florescimento dos paradigmas raciovitalista e personalista. (Marías, 1965, 32) [Dias, 2013, 11-12]
Embora sem validade científica, seria interessante analisarmos o número de páginas que Marías dedica a cada filósofo, no sentido de identificarmos, talvez, a importância histórica dada pelo autor. Vejamos, a título de curiosidade, apenas alguns: Aristóteles (22), Kant (19), Ortega (17), Heidegger (14), Platão (13), Husserl (12), Hegel (12), Descartes (10). [Dias, 2013, 107]

Resumo

Pretende-se contribuir, no âmbito deste projeto de investigação, com a apresentação crítica da perspetiva de um autor contemporâneo, que se destacou na área científica da filosofia e que poderemos enquadrar no atual debate sobre o valor da individualidade narrativa. Julián Marías (1914-2005), autor de uma bibliografia considerável na área dos estudos personalistas, apresenta-nos uma visão renovada do paradigma raciovitalista orteguiano, onde a figura do eu narrativo assume destaque relevante, sobretudo nas questões de sentido prático, felicidade, projeto, e realização.
            Assim, esperamos contribuir para o enriquecimento da investigação já realizada neste projeto, propondo e aprofundando o paradigma felicitário de Julián Marías, enquadrando-o numa linha intermédia de diálogo entre analítico e continental, herdeira da viragem produzida por Dilthey e assentando-o numa originalidade fenomenológica e ontológica ainda com muitos conteúdos por explorar e relativa à tríade: filosofia-vida-felicidade (1987).
            Nessa aplicação, a narratividade pessoal (1953) desenvolve-se como uma dialética evolutiva de mesmidade (1993) e que permite algum otimismo biográfico, como construção (1996) educativa (1992), mas que desafia a filosofia a repensar o seu estatuto epistemológico no âmbito das ciências sociais e humanas, nomeadamente, com o crescendo mundial da filosofia aplicada, e onde verificamos que um dos métodos compreensivos é necessariamente narrativo (1947), embora nem sempre utilizado com as categorias adequadas.
Para Marías, a filosofia terá de efetivar-se como teoria dramática e responsável (1993), procurando estruturar-se num fundamento racional, metafísico/vital, que compreende a história como uma narração de si mesma virada para um horizonte projetivo e de convivência. 

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[1] Este artigo foi produzido no âmbito do Colóquio “Poética do eu: escrita e outras construções”, realizado entre 3 e 5 de Março de 2014 na Universidade de Lisboa. A investigação presente neste artigo vem na sequência do trabalho doutoral apresentado em 2013 na Universidade Nova de Lisboa, com o título “O contributo de Julián Marías para uma teoria da filosofia aplicada à questão da felicidade” e que indicaremos na bibliografia final. Neste trabalho, apresentámos uma fundamentação teórica da consultoria filosófica como uma sub-área da filosofia aplicada. Colocaremos as referências originais em parêntesis reto, para que o leitor possa situar mais facilmente o nível da investigação e argumentação. Gostaríamos ainda de agradecer ao Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa a oportunidade de colaborar no Projeto de Investigação “Ética de aconselhamento” (PTDC/FIL/119527/2010), permitindo e enquadrando o estudo que agora apresentamos. No capítulo final, desenvolveremos um pouco mais o estudo de 2013, indicando novas aplicações da teoria de Julián Marías, nomeadamente, na reflexão que temos realizado sobre o Relatório Mundial de Felicidade 2013, promovido pela ONU e publicado pela Sustainable Development Solutions Network.

[2] Membro do Conselho Científico da HASER - Revista Internacional de Filosofia Aplicada; Conferencista convidado na XI International Conference on Philosophical Practice, Kangwon National University; doutorado em Filosofia pela Universidade Nova de Lisboa; foi docente convidado na Universidad de Sevilla e na Universitat de Barcelona; colabora no Grupo de Investigação: «Filosofía Aplicada: Sujeto, Sufrimiento y Sociedad» (Sevilla); investigador auxiliar do CEFi (Universidade Católica Portuguesa), no projeto "Ethics for Counseling"; co-autor do livro Felicidad o Conocimiento?. Colección Universidad. Sevilla: Doss Ediciones; Prefácio do livro Crowley, E. (2010) Upside Down World. American Book Publishing; última entrevista na TV: RTP 1, 21/11/2013. E-mail: gabineteproject@mailworks.org.

domingo, 2 de março de 2014